Salvos pela graça, mediante a fé, em Cristo Jesus
A celebração da Reforma Protestante nos convida a olhar para um dos períodos mais importantes da história da Igreja. Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero tornou públicas suas 95 teses, dando início a um movimento que denunciou abusos e convocou a Igreja a retornar à autoridade das Escrituras e à centralidade do evangelho de Jesus Cristo.
Entretanto, a Reforma não foi simplesmente um movimento de renovação institucional, nem uma tentativa de recuperar tradições antigas. Seu propósito mais profundo era redescobrir e proclamar a verdade bíblica de que a salvação não é uma conquista humana, mas um presente da graça de Deus, recebido mediante a fé em Jesus Cristo.
Paulo escreve à igreja de Éfeso, que precisava compreender a grandeza das bênçãos recebidas em Cristo. Em vez de começar falando sobre aquilo que devemos fazer para Deus, o apóstolo começa exaltando aquilo que Deus fez por nós.
“Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo…” (Efésios 1.4)
Paulo afirma que Deus nos escolheu em Cristo antes da fundação do mundo. A salvação não começa com a iniciativa humana, com os nossos méritos ou com as nossas obras religiosas. Ela começa no propósito eterno de Deus.
A doutrina da eleição evidencia que a salvação é resultado da graça soberana do Senhor. Não fomos escolhidos porque Deus previu em nós alguma qualidade que nos tornasse merecedores de sua misericórdia. Nossa esperança repousa no caráter gracioso de Deus e em seu propósito realizado em Cristo.
Irmãos, não vivamos como se precisássemos conquistar diariamente o amor de Deus por meio de nossos méritos. A obediência cristã é indispensável, mas não é a causa da nossa salvação; é fruto dela. Não obedecemos para comprar o favor de Deus, mas porque, em Cristo, fomos alcançados por sua graça.
“no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça.” (Efésios 1.7)
A palavra “redenção” comunica a ideia de libertação mediante um preço. Éramos pecadores incapazes de nos reconciliar com Deus por nossos próprios esforços, mas Jesus Cristo entregou sua vida em nosso favor. Seu sangue é o fundamento da nossa redenção.
Quantas pessoas vivem tentando compensar seus pecados por meio de boas ações, como se pudessem equilibrar a balança diante de Deus? Quantas carregam uma culpa que não conseguem resolver porque ainda confiam em si mesmas?
“a fim de sermos para louvor da sua glória…” (Efésios 1.12)
A Igreja existe para glorificar a Deus. Nossa pregação, nosso culto, nosso serviço, nossa evangelização e nossa vida cotidiana devem manifestar a grandeza daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.
Que a nossa vida não seja governada pela busca de reconhecimento, aplausos ou prestígio. Que nossos dons sejam usados para servir, que nossas famílias sejam conduzidas na Palavra, que nosso trabalho seja realizado com integridade e que nossa igreja seja conhecida pela fidelidade ao evangelho.
Por Rev. Orlando Coutinho.