Gloriemo-nos Somente na Cruz

Vivemos em uma época marcada pela busca incessante por reconhecimento, poder, sucesso e realização pessoal. Somos constantemente pressionados a encontrar algo do qual possamos nos orgulhar: nossa carreira, nossa aparência, nossas conquistas, nossos bens ou até mesmo nossa espiritualidade. Entretanto, quando olhamos para o Calvário, todas essas glórias humanas perdem o brilho.

Na crucificação, vemos o Filho de Deus pendurado entre criminosos. Aos olhos do mundo, aquela cena era o retrato do fracasso. Um homem rejeitado, humilhado, sangrando e morrendo. Os líderes zombavam, os soldados escarneciam e até um dos ladrões o insultava. Nada naquela cena parecia vitorioso.

Contudo, o apóstolo Paulo declara que “a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” (1Co 1.18). O que o mundo chama de derrota, Deus chama de vitória. O que parece fraqueza revela o poder divino. O que parece vergonha se torna o maior motivo de glória para o cristão.

Muitas vezes tratamos o pecado como algo pequeno. Justificamos nossas atitudes, minimizamos nossas falhas e nos comparamos com pessoas que julgamos piores do que nós.

Antes de apontarmos os pecados da sociedade, precisamos olhar para o Calvário e reconhecer: foi por causa dos nossos pecados que Cristo sofreu. Por isso, abandone a autossuficiência espiritual, confesse seus pecados regularmente diante de Deus e não trate como trivial aquilo que levou Cristo à cruz.

Na cruz também encontramos uma graça que alcança pecadores, fracassados, rebeldes e indignos. O ladrão arrependido recebeu a promessa do paraíso poucas horas antes de morrer. Nenhum mérito, nenhuma obra, nenhuma oportunidade de compensação. Apenas graça.

Nunca considere alguém distante demais para ser alcançado pelo evangelho. Não viva preso à culpa de pecados já perdoados em Cristo. Aprenda a perdoar como alguém que foi profundamente perdoado.

Que nossa segurança não esteja em nossos méritos. Que nossa esperança não esteja em nossas conquistas. Que nossa identidade não esteja em nossa reputação. Que possamos dizer como Paulo: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (Gálatas 6.14).

Por: Rev. Orlando Coutinho.