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A Cura do Pecador Arrependido

Tudo que foi experimentado pelo profeta Isaías era uma antecipação daquilo que ocorreria no Gólgota. A cena registrada no livro do profeta (Is 6. 6, 7), de certo modo, foi um pré-anúncio daquilo que seria realizado na cruz pela igreja. O altar aponta para o evento do Calvário, lugar no qual o Senhor Deus proveria para o pecador aquilo de que tanto necessita.

A passagem da Escritura mostra que após ter contemplado a santidade do Senhor e ter sido confrontado, o profeta teve uma experiência que alterou o curso da sua vida. O que aconteceu com o profeta? Ele viu a graça em movimento, experimentou o toque da graça e ouviu a maravilhosa declaração da graça.  

Em primeiro lugar, o profeta viu o movimento da graça. O profeta compartilha o que aconteceu. Ele diz que: “[…] um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz” (Is 6. 6).  A brasa com a qual o profeta seria tocado foi tirada do altar. O altar simboliza, dentre outras coisas, a purificação pelo sangue.

Logo, a menção que é feita do altar tem muito a ensinar.  O altar era o lugar onde era apresentado o sacrifício. O inocente tinha que ser imolado para que por meio do sangue o pecador fosse aceito e perdoado. No altar a oferta era consumida pelo fogo. Portanto, o altar faz alusão ao alto preço que era pago para que o pecador fosse perdoado.

Além disso, também é feito menção do fogo. Na teologia bíblica o fogo simboliza a ira do Senhor (Nm 31. 22, 23; Ml 3. 2; Mt 3. 11). Porém, mais do que ira, também simboliza a purificação efetuada pelo Espírito purificador (Is 4. 4).

Portanto, fica aqui uma valiosa lição: O altar diz respeito ao sacrifício. Faz alusão da imolação do cordeiro. Mas também fala de purificação. Logo, aqui já é feita menção da provisão de Deus para o pecador. E, sendo assim, o pecador arrependido é purificado tanto pela obra de Cristo quanto pelo ministério do Espírito Santo.

Isso é maravilhoso, pois, diante do desespero, o profeta viu um serafim se movimentando em sua direção. Os olhos que viram o Senhor, o trono, os seres angelicais e a adoração (Is 6. 1-3), são os mesmos que puderam contemplar o movimento da graça na direção do pecador.

Com isso, podemos dizer que os olhos do profeta viram a graça em movimento, porque a graça salvadora é beleza em movimento. A graça é o movimento daquilo que é belo em direção daquilo que é repugnante. A graça é a beleza em direção a feiura do pecador.

Enquanto o grito desesperado do profeta expressa necessidade, por outro lado, a ação do Serafim expressa provisão para a necessidade do aflito pecador. O que nos leva ao segundo ponto.

Em segundo lugar, o profeta experimentou o toque da graça. O texto santo registra a experiência do profeta, dizendo: “[…] com a brasa tocou a minha boca […]” (Is 6. 7). O movimento realizado pelo ser angelical decorre de uma ordem. Com toda certeza, houve uma deliberação da parte daquele que está assentado sobre o trono. Os Serafins não atuam por conta própria.

Fica claro o quanto a graça é livre. Ninguém a manipula. Digo assim por que Isaías não fez nada. Não trouxe nada nem pediu nada. O que fez foi gritar: “[…] ai de mim! Estou perdido!”. No entanto, o Senhor fez tudo. A única coisa que precisamos ter é a consciência que:O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra” (Sl 121. 1).

O que fazer para experimentar o toque da graça? Você não faz, quem faz é o Senhor. A única coisa que você tem que fazer para experimentar o toque curador da graça é invocar o nome do Senhor. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

Além disso, a graça toca no lugar que precisa ser tocado. O profeta foi tocado no local de maior necessidade. Os seus lábios foram tocados, porque considerou que os seus lábios eram impuros.

O que precisa ser tocado em sua vida? Talvez seja sua mente. Talvez sejam suas mãos. Talvez sejam os seus pés. Talvez sejam os seus ouvidos, ou ainda, talvez sejam os seus olhos. O toque da graça pode torná-lo puro e santo.   

Em terceiro lugar, o profeta ouviu a declaração da graça. Assim diz a Escritura: “Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniquidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado” (Is 6. 7).  A mensagem a ser enfatizada aqui é a purificação daquele que compreendeu sua situação. Sabe por quê? Porque a purificação é essencial para que alguém possa se aproximar do Deus santo.

O pecador não pode fazer nada para alterar sua condição de miserável pecador. Porém, o que o Senhor faz pelo pecador é completo. Existe o movimento em direção ao pecador, o toque, a obra e a comunicação.

A declaração da graça é límpida. Sua voz é inconfundível. Ela diz em alto e bom som: “a tua iniquidade foi tirada e perdoado, o teu pecado” (Is 6. 7). Sua declaração é tudo que o culpado precisa ouvir.

De sorte que quem escuta a declaração da graça nunca mais será o mesmo, porque o perdão é completo. O perdão é uma experiência consoladora. A graça do perdão alcança o intelecto, a emoção e a vontade.

O perdão restaura tudo que estava adoecido pelo pecado. O perdão efetua alívio imediato. Aquele que estava com medo, agora desfruta de segurança. Aquele que estava angustiado, agora experimenta o refrigério da paz.

Saiba, porém, que o perdão é pessoal. Não é experimentado pela prática litúrgica da lei nem pela vivência religiosa desprovida de arrependimento. O perdão é para quem viu sua enfermidade. Ele é para quem sentiu o fardo pesado da culpa. O perdão é para quem se arrepende.

O perdão é para mim, mas também é para você. É franqueado a todos indistintamente. É para o pobre e para o rico, para o intelectual e para o indouto, para a mulher e para o homem, para a criança e para o ancião, para o branco e para o preto. É para gente como a gente.  

O rito praticado era conhecido pelo profeta, mas ainda não era algo experimentado por ele. Porém, de repente o profeta contempla o movimento da graça em sua direção, o que fez com que tudo fosse alterado. Quem sabe você conheça a verdade pela liturgia do culto, mas ainda não tenha experimentado o efeito da graça salvadora.

Conclusão aplicativa

Em primeiro lugar, você nunca vai entender sua miséria se não entender quem é o Senhor. Não vai entender que precisa da graça se não compreender quem é você e qual a sua real condição. O Senhor Deus é santo, você é pecador. O Senhor Deus é puro de olhos, você é um pecador impuro.

Em segundo lugar, a proclamação do evangelho contempla em seu conteúdo a pessoa do Senhor, bem como o que o Senhor fez. O Deus santo e justo, também é o Deus misericordioso e cheio de graça. Sua obra em Cristo foi completa. Cristo morreu pelas transgressões. O castigo que nos traz a paz foi derramado sobre Jesus. Cristo ressuscitou para nossa justificação. Aleluia!

Logo, tudo foi realizado definitivamente. Sendo assim, a cura do pecador arrependido é obra da graça. A graça vem em nossa direção. Seu movimento é certeiro. Seu alvo é específico. A graça nos cura com o seu toque, que é curador. Além disso, ela faz uma declaração fabulosa. Assim que nos toca, a graça declara a nossa restauração: “a tua iniquidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado”. Aleluia! Estamos curados!

Por: Rev. Fabio Henrique de Jesus Caetano
Pastor da IPGII – DF

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